Rewilding: The Radical New Science of Ecological Recovery, de Paul Jepson e Cain Blythe, é uma obra-chave para compreender o rewilding enquanto conceito científico, prática de conservação e movimento transformador da relação entre a sociedade humana e a natureza.
O livro afasta-se de visões simplistas ou meramente românticas do rewilding e propõe uma abordagem informada, crítica e plural. Os autores exploram o rewilding como um processo de recuperação ecológica orientado por funções naturais, autonomia dos ecossistemas e pela reactivação de dinâmicas ecológicas, mais do que pela simples reintrodução de espécies emblemáticas. Destacam ainda a diversidade de modelos existentes, desde grandes paisagens selvagens até contextos rurais humanizados, sublinhando que o rewilding não é uma fórmula única, mas um conjunto de práticas adaptáveis aos territórios e às pessoas.
A pertinência do livro é particularmente elevada num contexto de crise climática, colapso da biodiversidade e abandono rural, como o que se observa em muitas regiões da Europa, incluindo o território do Grande Vale do Côa. Jepson e Blythe demonstram como o rewilding pode contribuir para a resiliência ecológica, novos modelos económicos locais, reconciliação entre conservação e desenvolvimento, e uma nova narrativa positiva para territórios marginalizados.
Mais do que um manifesto, este livro é uma ferramenta conceptual e estratégica, essencial para decisores, técnicos, investigadores e profissionais de turismo de natureza e conservação. A sua principal força reside em mostrar que o rewilding não é um regresso ao passado, mas uma aposta informada no futuro, onde natureza, cultura e sociedade podem voltar a evoluir e coexistir lado-a-lado.

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